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Nada de novo

14/08/2012
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A queda da cotação dos valores do Benfica assusta-me por demais. E não falo na bolsa de valores, mas falo daqueles que realmente contam.

O lado lírico e apaixonado do adepto, também conhecido como mística roça os valores do rating português. A paixão que temos na nossa equipa e na nossa camisola será sempre superior à “paixão” dos jogadores pela mesma camisola.

A eles interessa-lhes o salário e as condições, a nós interessa-nos sempre o resultado e a dignificação em campo do símbolo que carregam ao peito.

Inúmeras vezes se criticam os jogadores pela falta de exemplos. Poucas vezes se criticam os dirigentes por permitirem esses comportamentos. O modo como os dossiers são geridos no Benfica lembram-me inúmeras vezes regimes totalitários entretanto já caídos. Nesses regimes as vitórias, por mais insignificantes que sejam, são aproveitadas até à exaustão e sempre extrapoladas. Já as derrotas são tratadas, envolvidas em açúcar e vendidas sempre como percalços e nunca derrotas.

A falta de humildade para entender que erramos é (talvez) o pior defeito da humanidade. A capacidade de pedir desculpa e reconhecer os erros, levando isso a que o nosso orgulho mergulhe perigosamente em águas turvas, é uma capacidade digna de seres humanos muito especiais e que ficam sempre para a história.

A minha educação nos valores do Benfica dizia-me sempre isso. Ser humilde, reconhecer que erramos, dar o mérito ao adversário (nunca inimigo) quando este é melhor. Podemos não nos sentir bem na derrota, eu não gosto, mas saber perder é uma virtude digna de poucos (que afinal são muitos milhões de Benfiquistas)…

O reconhecimento de mérito adversário acaba sempre com toda e qualquer discussão. É uma virtude apenas comparada ao silêncio, onde o opositor fica a falar sozinho e muitas vezes sem argumentos. Essa superioridade é, ou era a maior virtude encarnada e aquela que nos dignificava pelo mundo. As lágrimas de Eusébio em 66 são bem exemplo disso…

Hoje, nos dias que correm, em vez de nos preocuparmos colocar a fasquia bem alto e olhar para baixo tentando sempre com isso sobrelevar o desporto e atitudes das pessoas, apressamo-nos a mergulhar na água fétida e inquinada onde todos os outros se lavam nadam em conjunto. Em vez de sermos águia altiva, somos apenas enguia ensebada.

Eu preciso de exemplos que me façam sempre olhar para cima, e nunca ser igual por comparação. Dizer que o que o Luisão fez é igual ao que corruptos já fizeram não desculpa ninguém. Apenas me faz igual a eles. E isso eu não sou. Eu tento arranjar argumentos para desculpar e entender que tudo está bem, mas o que sinto é sempre o mesmo desconsolo. Perdemos o lugar da elite. E o descontrolo não para. Eu preciso de liderança e exemplos, não de comparações e fugas para a frente.

Devolvam os 200.000 Euros, enviem pedidos de desculpa formais para o Fortuna, para o Árbitro e para a Federação Alemã. Não fujam para a frente. Um pedido de desculpa vale mais do que 200.000 euros, vale mais do que um campeonato. Neste momento torna o encarnado mais encarnado.

Caso contrário, eu declaro-me contra isto tudo. E só não deixo de ser sócio porque quero chegar a Outubro e usar o meu direito de voto. Depois, logo se vê…

 

One Comment leave one →
  1. L G permalink
    14/08/2012 10:41

    É isso mesmo!

    Saudações Gloriosas ( e responsáveis)!

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